História

  • 1710
    Os primeiros relatos de cirurgias abdominais que resultaram na construção de estomas são relativos a Aurelianus Caelius no ano 300 A.C. Em 1710, Littré médico francês foi o primeiro a recomendar a construção de uma colostomia, em idade pediátrica.
    A primeira menção aos cuidados ao estoma foi relatada por Plumley em 1930, quando escreve como um doente prestou cuidados à sua própria ileostomia, sem que tivesse sido orientado por profissionais de saúde. Nessa época o único apoio disponível era a experiência de outras pessoas ostomizadas.
  • 1961
    Todavia, foi com Norma Gill que se iniciou a arte e ciência da “Enterostomal Therapy”. Surgindo o conceito de que a pessoa ostomizada necessitava muito mais do que uma boa e efetiva técnica cirúrgica para a sua reabilitação, introduzindo a empatia, a informação e a capacitação para o autocuidado, bem como a importância de materiais adequados. Esta forma de intervir veio colmatar a tendência de então, em que a pessoa com um estoma recém-formado estava fortemente dependente do cirurgião, do fabricante de materiais e/ou grupos de autoajuda. A nova abordagem impulsionou o movimento que deu início a um programa educacional em 1961, tendo como coordenadores e formadores, Rupert Turnbul e Norma Gill, no Centro de Formação na Clínica de Cleveland Foundation. Inicialmente um programa de treino para profissionais de saúde e pessoas ostomizadas, focando apenas os aspetos práticos relativos ao cuidado ao estoma. Contudo, os profissionais de saúde adotaram este conceito e rapidamente se transformou num centro de treino, sendo fundado o primeiro curso oficial, tornando-se assim um centro decisivo e importante para o desenvolvimento dos cuidados à pessoa portadora ostomia.
  • 1970
    Durante o ano de 1970, o novo conceito de “Enterostomal Therapy” espalhou-se rapidamente para outros Estados Norte Americanos, seguindo-se a Austrália, o Canadá, a Nova Zelândia, a Inglaterra e a África do Sul. Estes países considerados os primeiros a desenvolver e organizar a formação na área da Estomaterapia através da implementação de cuidados especializados e do reconhecimento do “cuidado dos estomas” como uma especialidade clínica de enfermagem, prosseguindo posteriormente para outros países como a França e a Itália. Neste contexto, começaram a surgir novos cursos pós-graduados, investimentos na área da investigação e no desenvolvimento de novos materiais (dispositivos coletores, protetores cutâneos). O crescente interesse pela estomaterapia, a nível mundial, levou à realização de conferências e congressos, proporcionando a troca de experiências e conhecimentos. Para que fosse possível a representação da realidade de cada país, surgiu a constituição de um órgão representativo a nível internacional, sob a liderança de Norma Gill, que se efetivou em 1978 pela criação da World Council of Enterostomal Therapists (WCET), constituído por 30 enfermeiros de quinze países. A organização também incluía representantes da indústria de produtos hospitalares.
  • 1980
    O WCET definiu como objetivo, promover a identidade da Estomaterapia no mundo e o intercâmbio internacional entre especialistas, possibilitando o desenvolvimento técnico e científico nesta área, através formação pós-graduada certificada. Focando também a padronização de protocolos, promovendo a melhoria da qualidade do desempenho profissional, o aumento da qualidade assistencial, não só para a pessoa com ostomia, mas também direcionado à pessoa com feridas agudas e/ou crónicas, nas áreas da
    incontinência fecal, urinária e fístulas.
    Em 1980 a Estomaterapia passou a ser uma especialidade designada pelo conselho científico da WCET e reconhecido o Enfermeiro Estomaterapeuta. Este é definido como o profissional que possui conhecimento, treino específico e habilidades para o cuidar de pessoas com
    estomas, de feridas agudas ou crónicas, fístulas e incontinência fecal e urinária.a França e a Itália. Neste contexto, começaram a surgir novos cursos pós-graduados, investimentos na área da investigação e no desenvolvimento de novos materiais (dispositivos coletores, protetores cutâneos). O crescente interesse pela estomaterapia, a nível mundial, levou à realização de conferências e congressos, proporcionando a troca de experiências e
    conhecimentos. Para que fosse possível a representação da realidade de cada país, surgiu a constituição de um órgão representativo a nível internacional, sob a liderança de Norma Gill, que se efetivou em 1978 pela criação da World Council of Enterostomal Therapists (WCET), constituído por 30 enfermeiros de quinze países. A organização também incluía representantes da indústria de produtos hospitalares.
  • 2003
    Em 2003 é fundada a European Council of Enterostomal Therapy (ECET), uma organização aberta à participação de todos os profissionais de saúde europeus envolvidos no cuidado à pessoa com ostomia. Novas organizações surgiram e desenvolveram programas de formação
    para enfermeiros em vários países. Em Portugal, os primeiros Enfermeiros Estomaterapeutas formaram-se em universidades espanholas, francesas e inglesas, cujos cursos de estomaterapia eram acreditados pela WCET. As primeiras consultas de Estomaterapia surgiram em Portugal em 1991 e foram regulamentadas pelo Despacho do Ministério da Saúde de 24 de Fevereiro de 1995, pelo então Ministro da Saúde, Dr. Paulo Mendo.
  • 2005
    Em 2005 foi criada a Associação Portuguesa de Enfermeiros de Cuidados em Estomaterapia (APECE). Em 2010 considera a Estomaterapia como a área diferenciada dos cuidados de saúde, que integra o saber científico-técnico, princípios de relação de ajuda e que, através da informação, do ensino e do aconselhamento, permite à pessoa que irá ser ou foi submetida a uma ostomia prosseguir a nível pessoal, familiar, profissional e social, com as necessárias modificações, com a maior brevidade, concretizando objetivos e metas.

Atualmente existem consultas de Estomaterapia na maioria das unidades hospitalares e em diversos recursos na comunidade, em Portugal continental e ilhas. Desde 1991, ano em que sugiram as primeiras consultas em Portugal, foi grande a evolução e o desenvolvimento de valências nesta área, para tal contribuiu a formação e aquisição de competências especificas. Estamos cientes dos ganhos em saúde que esta evolução possibilitou à
pessoa ostomizada e respetiva família.

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